Escolinhas

O ano era 2014, exatos dez anos após a fundação do Luverdense. A ideia: criar um projeto que ao mesmo tempo que trabalharia futuros talentos para o Verdão, também seria uma grande ferramenta pedagógica e de inclusão social. O resultado? Os núcleos de base do Luverdense, hoje existentes nos bairros Bandeirantes, Cerrado e Rio Verde.

Atualmente são cerca de 450 crianças atendidas no projeto, idealizado pelo presidente do clube, Helmute Lawisch. Logo no primeiro ano, um sucesso absoluto, que virou febre na cidade e cerca de 600 crianças divididas nos campos do Bandeirantes, Jaime Seti Fuji, Rio Verde e Cerrado.

Questões burocráticas impediram que o projeto continuasse em 2015 e as atividades foram canceladas, retornando em 2016. No início de julho de 2017, após a consolidação dos núcleos de base, os alunos receberam kits de treinamento compostos por calção, camisa e meião, sem custo algum para as crianças.

O núcleo é formado pelos professores Macaé (Bandeirantes e Rio Verde), Ricardo (Cerrado), Júlio (Cerrado) e Fabian (Rio Verde). A entrega dos equipamentos esportivos foi possibilitada pelas parceiras do Luverdense Sicredi, Fiagril, Gazin, Sadia, SR Utilitários, SR Caminhões e Amazônia Máquinas Agrícolas.

Para o coordenador técnico do Luverdense, Pedro Henrique de Araújo Coelho, a entrega dos kits é importante para o melhor desenvolvimento das atividades no núcleo. “Isso mostra a seriedade do projeto, que antes de pensar em formar atletas, pensa primeiramente na formação do cidadão. O futebol, neste caso, funciona como uma ferramenta educacional para estas crianças. Para nós, é uma satisfação fazer este trabalho com a comunidade, o que nos deixa muito felizes”, afirmou.

O presidente do Luverdense, Helmute Lawisch, destaca que o projeto tem inúmeras aplicações no desenvolvimento das crianças, principalmente no ponto de vista motor. “É um trabalho mais social, atendendo crianças de 7 a 15 anos. Nossos parceiros nos ajudam com esta causa, para que as crianças saiam da frente dos celulares, computadores e tablets e vão praticar esportes e entendam que futebol é uma coisa boa. Estou muito contente com isso e me orgulho ao ver todas estas crianças correndo atrás da bola. É muito bonito ver tudo isso, principalmente quando você nota que além do esporte, elas também interagem com outras crianças. Ver o sorriso destas crianças, não tem preço. E o principal é que, auxilia também no desenvolvimento tanto pessoal quanto físico destes guris”.

Este é o pensamento do casal Franciel e Irailde, pai e mãe do pequeno Asafe, de 5 anos, que faz parte do projeto. Os pais acreditam que a participação do filho possibilita que ele tenha um desenvolvimento melhor no relacionamento com crianças da mesma idade e acreditam que daqui a alguns anos, algumas delas estarão atuando profissionalmente pelo clube. “É uma ferramenta de educação, antes de tudo. É muito importante porque diminui a quantidade de tempo que as crianças ficam com facilidades tecnológicas, como TV, tablet e celular. Mesmo que ele não vire um jogador profissional, ele terá uma infância com amigos e história para contar”, afirmaram os pais.

Giovane, pai do Lucas, de 9 anos, pensa de forma parecida. Para ele, o projeto é muito importante para o desenvolvimento das crianças de Lucas do Rio Verde. “É o pontapé inicial para uma criança como o Lucas, que sempre gostou de futebol. O sonho dele é ser jogador e a gente incentiva. Começar em um time que já está em evidência no futebol nacional e que disputa a Série B, é um grande começo. Sem falar que é uma ferramenta de inserção das crianças com o esporte, e de forma gratuita”, disse Giovane.

William, pai de Kayky, de 7 anos, destacou que a participação do filho no núcleo influencia inclusive no desenvolvimento educacional da criança na escola. “Ele se relaciona muito bem com outras crianças e isso tem ajudado muito. Ele até já sonha em ser um jogador de futebol. Numa cidade como Lucas do Rio Verde, ter um projeto assim é muito bom. Ver meu filho jogando bola com a camisa do Luverdense, que disputa a Série B do Brasileirão, me enche de orgulho. Isso é ótimo”, revelou o pai.

NOVOS NÚCLEOS

Com o crescimento do projeto e o sucesso entre as crianças, surgiu então a ideia, em parceria com as Prefeituras de Itanhangá e Tapurah, de implantar núcleos de base do Luverdense nas duas cidades. O objetivo é massificar o projeto e captar atletas, levando também uma alternativa para estas crianças, junto ao esporte.

FALA PEDRINHO

Se pretendemos estruturar o nosso futebol e elevar o nível qualitativo dos nossos jogadores, não podemos trabalhar ao acaso e devemos implementar conteúdos e métodos de treino. Desde o momento em que se inicia na prática do futebol até a chegada ao alto rendimento, os jovens devem passar por um processo de formação coerente, em que exista uma progressão da aprendizagem por diferentes etapas, com objetivos, estratégias e conteúdos adequados a suas diferentes fases de desenvolvimento.

Devemos ensinar o jogo de futebol através de formas adaptadas as características físicas, psíquicas e até mesmo comportamentais das crianças. E com muito trabalho e nossa excelente equipe de profissionais, é isso que desenvolvemos nos nossos núcleos.